Hoje fiz uma dança no escuro. Soube-me bem arriscar. Agora que penso já não dança assim há longos tempos. Não, não penses.. deixa-te levar. Continuo com os olhos cerrados e a boca muda. Os pés? Os pés movem-se por livre vontade. Percorro todo o átrio numa só dança. Tenho aqueles sapatos com um laço. Trás-me boas recordações.
Lembro desse dia em que mos ofereceste. Estavamos dois corpos mortos por cima dos lençois brancos. O relógio tocava as 8:30h. Eu ainda estava embalada nos sonhos enquanto que tu me observavas e me tocavas com o dedo no ombro como se uma festa. Levastaste e já só me lembro de acordar e sentir um beijo nos lábios e ouvir um "bom-dia". Sorri. Fizeste o meu chá preferido. Trazia no bule que me deste (o meu preferido) o chá, num pratinho duas bolachas húngaras que eu tanto gostava e ao lado uma flor encarnada. Tomei o pequeno-almoço. Tomei um duche como de habitual. Ainda tavas deitado nos lençóis, tinhas dito que este dia ias dedicar a mim e eu tinha sorrido para dentro. Fui junto a ti, deste-me um beijo na testa ainda molhada do cabelo e tiraste debaixo da cama um caixa roxa. Um presente. Sempre me mimaste muito, mesmo quando eu dizia que não era necessário e que me bastava ter-te a ti para estar completa (e era verdade). Abri. Eram uns sapatos. Aqueles sapatos que tinhamos visto no outro dia na montra da baixa. Abracei-te. Fiquei assim, abraçada. Calcei-os e dancei para ti, contigo. Ficamos assim pela manhã fora.
Hoje? Hoje faço uma dança no escuro.
sábado
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3 comentários:
uau, esta mesmo bonito o texto:)
o texto está fantástico!
que lindo texto Carina :D
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